Denver Nuggets
Já nos acostumamos a ver Nikola Jokic e Jamal Murray resolvendo séries de playoffs para o Denver, mas para ter uma nova chance de disputar o título, a equipe vai precisar voltar a defender em alto nível.

Uma nova era em equilíbrio.
Pela décima vez, o Café Belgrado se prepara para uma nova temporada da NBA.
A história começou em 2017, quando o podcast nasceu e passou a acompanhar a temporada 2017-18. Desde então, já foram nove finais de NBA, centenas de episódios, milhares de horas falando sobre basquete e uma quantidade impossível de contar de discussões sobre jogadores, franquias, trocas, Drafts, títulos, fracassos e todas aquelas histórias que fazem a NBA ser muito mais do que simplesmente um campeonato de basquete.
Nesse caminho, aconteceu muita coisa. O Café Belgrado cresceu, encontrou novos ouvintes, fez amigos, conheceu gente que passou a fazer parte dessa história e, principalmente, nunca perdeu a vontade de falar sobre NBA. Pelo contrário. Depois de nove temporadas, a sensação é de que ainda existe muito mais para descobrir, discutir e acompanhar.
Por isso, na décima temporada, decidimos fazer algo um pouco diferente. O Café Belgrado sempre teve no podcast seu principal espaço para discutir a NBA, mas desta vez queremos também colocar algumas dessas ideias no papel. Este material é o nosso panorama para a temporada que está começando: alguns dos personagens, histórias, disputas e perguntas que ajudam a explicar o que podemos esperar dos próximos meses.
Não é para tentar adivinhar tudo o que vai acontecer. É para começar a temporada olhando para aquilo que parece mais importante agora.
Venha viver “la décima” com o Belgradão

Assista a um vídeo do canal aqui na Magazine ou abra a página de vídeos do Café Belgrado no YouTube.
Uma das marcas da gestão do Comissário da NBA, Adam Silver, é o equilíbrio, e ao longo dos últimos anos, a NBA virou um ambiente menos favorável às dinastias.
Não necessariamente porque a liga tenha decidido acabar com elas. Mas porque, conforme o salary cap foi ganhando novas regras e as equipes passaram a ser cada vez mais punidas por gastar acima de determinados limites, manter um time campeão por muitos anos ficou mais difícil. A NBA criou as aprons, endureceu as consequências para quem ultrapassa determinados níveis de gasto e transformou o dinheiro em uma questão competitiva.
Gastar mais que os outros deixou de ser simplesmente uma vantagem. Em determinadas circunstâncias, passou a ser também um problema.
E existe uma consequência bastante natural disso: os times que vencem ficam mais caros. Conforme acumulam bons jogadores, contratos maiores e extensões, manter aquela mesma estrutura passa a ser cada vez mais complicado. O Boston Celtics é o exemplo mais notório.
A franquia já havia começado a desmontar parte importante do time campeão antes da temporada passada, em movimentos que tinham justamente o objetivo de recuperar flexibilidade financeira, e a lesão de Jayson Tatum acelerou ainda mais a transformação.
O resultado é uma NBA em que construir uma grande equipe continua sendo possível, mas permanecer no topo por muito tempo ficou consideravelmente mais difícil. Não à toa, tivemos oito campeões diferentes nas últimas oito temporadas!
Se a rotatividade de campeões tornou evidente o momento de equilíbrio pelo qual a liga passa, a temporada 2026-27 inicia uma mudança importante na outra ponta da tabela, pois a NBA resolveu mexer com quem perde demais.
As novas regras anti-tanking tornam a parte de baixo da tabela muito menos previsível. Durante muito tempo, terminar entre os últimos colocados garantia uma recompensa.
Quanto pior fosse uma equipe, maiores eram suas chances de escolher no começo do Draft. Perder era parte não só aceita do processo de reconstrução, mas em muitos casos, uma estratégia incentivada.
Agora, não é mais tão simples.


A nova 3-2-1 Lottery amplia a loteria para 16 equipes e cria uma situação inédita: os três piores times da NBA terão menores chances em relação às demais equipes que não chegam aos playoffs ou ao Play-In de pegar uma das escolhas mais altas.
É uma espécie de zona de rebaixamento do Draft.
Os três piores times ainda podem ganhar a Lottery, evidentemente. Mas agora, além das menores chances de vencer a loteria, o time de pior campanha pode ficar com a 12ª escolha do Draft. Até o último draft o time escolheria em quinto na pior das hipóteses. Isso muda completamente a dinâmica da parte de baixo da tabela e também a conversa sobre reconstrução.
Durante anos, um GM poderia se escorar na justificativa de que o time não era tão ruim assim. Estava apenas perdendo de propósito. Bastava esperar dois ou três anos e o futuro seria brilhante. Algumas escolhas altas, uma estrela encontrada no Draft e pronto: o rebuild estaria funcionando.
É uma mudança bastante radical na lógica do tanking dos esportes americanos, mas na lógica esportiva faz todo sentido: ser o pior é algo ruim.
A NBA vem tentando, há algum tempo, devolver relevância à temporada regular. O jeito mais óbvio de fazer isso seria diminuir os 82 jogos da temporada regular. O problema é que existe muito dinheiro envolvido em uma temporada de 82 partidas, tanto para os jogadores quanto para as franquias e para a própria liga. A NBA, portanto, vem tentando resolver o problema sem mexer justamente naquilo que sustenta boa parte de sua estrutura financeira.
Primeiro, criou regras relacionadas ao número mínimo de jogos que os jogadores precisam disputar para concorrer aos principais prêmios individuais. Agora, começa a fazer algo parecido com as equipes: se você não levar a temporada regular a sério, haverá uma consequência. A política de participação de jogadores já existe desde 2023 e foi criada justamente para incentivar a presença dos principais atletas na temporada regular.
A expectativa é de uma temporada regular mais competitiva. Não necessariamente porque os melhores times vão passar a tratar cada partida como se fosse um jogo de playoffs, mas porque a parte de baixo da tabela também terá mais motivos para competir.
Um confronto entre um candidato ao título e uma das piores equipes da liga pode continuar tendo um favorito bastante claro. Mas quando duas dessas equipes de baixo se enfrentarem, a história pode ser diferente. Antes, havia pouca diferença entre ganhar e perder. Agora, existe uma posição de Draft em jogo.

Talvez isso também signifique menos testes, menos descanso e menos partidas em que os principais jogadores simplesmente não estão disponíveis. Talvez a gente veja mais jogadores relevantes em quadra e menos daqueles jogos que, por uma combinação de lesões, descanso e falta de interesse, acabam perdendo completamente a atratividade.
É cedo para saber quanto todas essas mudanças vão alterar o comportamento das franquias. Mas a NBA está claramente tentando empurrar a temporada regular para um lugar em que todos os jogos tenham algum valor.
Talvez a gente não veja mais aquela sequência de equipes terminando a temporada com menos de 20 vitórias. Talvez terminar entre os três últimos lugares passe a ser uma coisa que ninguém queira assumir.
E, se isso acontecer, a NBA terá conseguido uma coisa bastante interessante: depois de alguns anos tentando controlar os extremos do topo da tabela, agora começa a controlar também os extremos da parte de baixo.
É nesse ambiente que se começa a vislumbrar a temporada 2026-27 da NBA no Café Belgrado. Uma liga extremamente opulenta (em grana, entretenimento e em histórias), mas que ainda faz questão de lapidar os extremos em busca do perfeito equilíbrio.
O New York Knicks terminou a temporada 2025-26 exatamente como um time que passou anos tentando provar que pertencia àquele lugar gostaria de terminar: campeão da NBA. E não foi um título qualquer!
O Knicks já havia vencido a Copinha da NBA e chegou aos playoffs com a mesma característica que marcou boa parte de sua trajetória nos últimos anos: jogando melhor do que aquilo que se imaginava que fosse o lógico ou o possível.
A temporada regular, é verdade, não tinha indicado uma campanha desse tamanho. O Knicks patinou em alguns momentos e não confirmou a expectativa de que seria o melhor time do Leste. Mas havia uma diferença entre o Knicks dos jogos comuns e o Knicks dos grandes jogos. Quando a temporada começou a exigir respostas, o time quase sempre encontrou uma.
Foi assim na Copinha, foi assim no jogo de Natal e foi assim, principalmente, nos playoffs com o ápice acontecendo justamente nas finais.
O San Antonio Spurs havia acabado de sobreviver a uma série de sete jogos contra o Oklahoma City Thunder e chegava à decisão com a impressão de que tinha acabado de apresentar o melhor basquete dos playoffs. Era uma equipe jovem, talentosa e aparentemente pronta para transformar aquela série contra o campeão de 2025 em sua passagem definitiva para o topo da NBA.
O Knicks simplesmente não se importou.
Foi dominante contra o Spurs e, de certa maneira, repetiu nas Finais o que havia feito durante boa parte do caminho pelo Leste: impôs seu jogo, resistiu aos momentos de dificuldade e venceu sem deixar que o adversário transformasse a série em algo maior do que ela realmente foi.
Mesmo quando parecia que finalmente seria derrotado, o Knicks encontrava uma maneira de voltar. Essa talvez seja a característica mais importante desse time. O Knicks é muito melhor do que parece ser.
E isso não é apenas uma avaliação sobre basquete. É quase uma característica de personalidade. Existe uma confiança enorme em Nova York de que o time sabe exatamente o que é capaz de fazer, mesmo quando o restante da NBA ainda não está convencido. O Knicks não parece precisar que as evidências apareçam antes de acreditar em si mesmo. Primeiro acredita. Depois prova.
Jalen Brunson é provavelmente a melhor representação disso.

Brunson também não deveria ser tão bom. Não era esse o jogador que a NBA imaginava quando ele chegou à liga. Não era esse o jogador que o Dallas Mavericks imaginava ter deixado escapar. E certamente não era esse o jogador que muita gente imaginava que poderia comandar um candidato ao título.
Hoje, é ainda mais do que franchise player campeão e MVP das finais. É uma entidade. O príncipe que foi prometido.
O Knicks tem muito dessa personalidade. Um time que precisa se provar o tempo inteiro e que, curiosamente, parece jogar melhor justamente quando precisa fazê-lo.
E vai precisar novamente.
A NBA não produz um bicampeão desde o Golden State Warriors de Kevin Durant e Stephen Curry. Nos últimos anos, Boston, Denver e Oklahoma City chegaram ao início de suas temporadas como favoritos mais claros do que o Knicks será agora. O campeão de 2026 começa sua defesa do título sem sequer ser unanimidade dentro da própria Conferência Leste.
O Philadelphia aparece no mesmo patamar de favoritismo. Alguns times do Oeste são considerados candidatos mais fortes. E existe, portanto, uma boa chance de o Knicks começar a temporada novamente no lugar que parece conhecer tão bem: o de quem precisa convencer os outros.
O Knicks passou a temporada passada fazendo isso. Nadou contra a corrente, contrariou expectativas e terminou levantando o troféu e agora pretende fazer algo ainda mais difícil: repetir.
Não apenas porque nenhum campeão recente conseguiu fazê-lo, mas porque a própria estrutura da NBA tornou a permanência no topo mais difícil. O Knicks terá de provar que aquilo que vimos nos playoffs não foi apenas o momento perfeito de um time que encaixou durante dois meses, mas o início de uma era que pode durar mais do que uma temporada.
E existe uma outra força que ajuda a explicar o tamanho que esse time alcançou: A torcida.
Há muito tempo não se via o Knicks ocupar esse espaço na NBA.
O time é uma das maiores marcas da liga e a franquia mais valiosa da NBA há anos, mas passou tempo demais sem disputar nada realmente relevante. Quando finalmente voltou ao centro da conversa, a torcida veio junto.
E veio de um jeito que não estamos acostumados a ver.
Nos playoffs, o Knicks parecia ter torcedores em todos os lugares. Filadélfia, Cleveland, San Antonio, ginásios adversários tomados por uma torcida que transformava jogos fora de casa em uma espécie de Madison Square Garden itinerante.
Era impressionante.

E, de certa forma, era também a confirmação de que o Knicks havia recuperado uma relevância que parecia perdida havia muito tempo. Agora existe uma pergunta interessante: o que acontece quando o desafiante vira o campeão?
A torcida continuará com a mesma fome? O time continuará jogando com a mesma necessidade de provar alguma coisa? Brunson continuará sendo o jogador que ninguém esperava que fosse?
E, principalmente, será que esse Knicks consegue fazer aquilo que nenhum campeão recente conseguiu?
A NBA vai desconfiar. Os adversários e os especialistas podem também, mas o Café Belgrado não. Deixa os outros duvidarem, o Belgradão estará nas trincheiras pelo Knicks.

Deixa os outros duvidarem.
Oklahoma City Thunder e San Antonio Spurs são mais do que os dois adversários da última final da Conferência Oeste. São, neste momento, os dois times que melhor representam uma possível rivalidade pela alma da conferência nos próximos anos.
É claro que existem outros candidatos. Wolves, Lakers, Rockets e tantos outros ainda podem aparecer, mas hoje, é difícil olhar para o Oeste e encontrar dois projetos mais preparados para ocupar o topo durante a segunda metade desta década. A sensação é de que, nos próximos três ou quatro anos, um desses dois times estará sempre representando o Oeste nas finais.
Como chegamos a esse ponto? Como a conferência sinônimo de competitividade ficou tão desequilibrada?
O San Antonio Spurs encontrou em Victor Wembanyama um jogador que parece ter sido criado para quebrar as regras do basquete. A combinação de tamanho, mobilidade, habilidade e capacidade de proteger o aro produz uma defesa que simplesmente não é reproduzível por qualquer outra equipe. O Spurs pode colocar em quadra uma quantidade de talento jovem que ainda está longe de atingir seu limite e, ao mesmo tempo, já sabe que tem no seu principal jogador uma arma capaz de mudar completamente o jogo.
O Oklahoma City Thunder responde com outra forma de violência.
A defesa do Thunder começa no perímetro e parece nunca dar ao ataque adversário um segundo de conforto. É uma equipe agressiva, que incomoda antes mesmo de a bola chegar ao meio da quadra e que, quando o adversário finalmente consegue iniciar seu ataque, está sempre tocando na bola, fechando linhas de passe e transformando cada posse em uma disputa física e mental.
E, do outro lado da quadra, existe Shai Gilgeous-Alexander.
O Spurs tem Wembanyama. O Thunder tem Shai. Cada um deles é uma espécie de problema que não deveria existir daquele jeito.
A última temporada foi apenas o primeiro capítulo dessa disputa. O Spurs deu um cheque no Thunder ao eliminá-lo em uma série de sete jogos que teve momentos de basquete “dois ponto zero”. Para Oklahoma City, aquela derrota não significava apenas perder a Conferência Oeste. Significava descobrir exatamente onde estava o adversário que agora precisa ser superado.

E o Thunder tentou responder.
Foi quem mais se mexeu entre os dois durante a offseason, tentando corrigir as pequenas rachaduras que apareceram justamente quando a temporada chegou ao seu momento decisivo.
Se o Spurs deu o primeiro “check”, o Thunder precisou reorganizar o tabuleiro, e isso torna essa rivalidade ainda mais interessante.
O Spurs não precisa reinventar aquilo que funcionou. Precisa continuar desenvolvendo seus jovens, manter Wembanyama saudável e descobrir até onde esse talento pode levar a equipe. O Thunder, por outro lado, entra na temporada com a obrigação de responder à pergunta que a última temporada deixou:
Como vencer esse Spurs?
E talvez exista uma pergunta ainda mais importante para Oklahoma City:
Chet Holmgren será capaz de ser o adversário que o Thunder precisa que ele seja diante de Wembanyama?
Ele não precisa vencer Wembanyama. Ninguém espera que ele seja melhor e nem mesmo tão bom quanto Wemby. Mas precisa conseguir equilibrar o confronto. Precisa pode ficar em quadra e evitar que o Spurs transforme a diferença entre os dois em uma vantagem impossível de ser compensada pelo restante do elenco.
Porque essa é a natureza dessa rivalidade.
Wembanyama é a força sobrenatural, a rainha do tabuleiro Shai é o terror para qualquer defesa. O Spurs protege o aro como poucos times conseguem. O Thunder transforma o perímetro em um campo minado.
E, se a previsão estiver correta, ainda veremos muitas partidas entre os dois antes de descobrir quem realmente será o dono do Oeste.

LeBron James já foi campeão em três cidades. Foi campeão no seu estado natal jogando em Cleveland; em Miami, cidade que escolheu para amadurecer seu basquete e jogar com seus amigos; e em Los Angeles, uma cidade que parece ter sido feita para receber as maiores estrelas da NBA.
Agora, na 24ª temporada de sua carreira, às portas do seu aniversário de 42 anos, LeBron escolhe um território completamente diferente pra chamar de seu.
Filadélfia.
O 76ers não sabe o que é ser campeão desde 1983, quando Moses Malone e Julius Erving comandaram uma das equipes mais celebradas da história da NBA. O título aconteceu pouco mais de um ano antes de LeBron nascer. Quarenta e três anos depois, é justamente essa franquia histórica, mas há tanto tempo distante do topo, que se transforma no novo palco de uma das últimas grandes histórias da carreira de LeBron.
É uma escolha inesperada. E talvez seja exatamente por isso que seja tão interessante.
LeBron continua sendo a maior história de uma Offseason, mesmo aos 41 anos. Agora, sua chegada transforma a Filadélfia no centro das atenções da NBA. A franquia já havia flertado voltar a esse lugar durante o auge do processo quando Kawhi usou um dos arremessos mais chorados da história para eliminar Jimmy Butler & Cia., quase chegou lá quando teve Allen Iverson desfilando pelas quadras, mas nada se compara ao efeito de colocar LeBron James no centro de uma equipe.
E o 76ers não terá apenas LeBron.
Existe talento suficiente nesse elenco para tratar imediatamente essa equipe como uma das grandes forças da liga. Existe a crença de que finalmente veremos a franquia voltar a ocupar o espaço que acredita merecer tal qual como Knicks conseguiu há alguns meses. Mas existe uma questão que não muda com a chegada de LeBron ou com a troca por Jaylen Brown. Uma pergunta que independe da capacidade de Tyrese Maxey costurar defesas e VJ Edgecombe voar pela quadra: “Joel Embiid vai conseguir jogar?”
Porque, no fim das contas, mesmo com LeBron James chegando à Filadélfia, é provável que a temporada do 76ers continue dependendo da mesma forma dessa variável que não deveria ser tão imponderável. Que comecem os jogos.

Uma NBA que teve oito campeões diferentes nas últimas oito temporadas não pode ser tratada como uma liga em que apenas um punhado de equipes têm direito de sonhar com o título. A história recente mostra justamente o contrário: O Indiana Pacers de 2025 causou espanto e comoção eliminando vários favoritos e inesperadamente levou o Oklahoma City Thunder até o jogo 7 das Finais. O Dallas Mavericks, em uma run inspirada de Luka Doncic, chegou às Finais de 2024 depois de uma campanha relativamente modesta de 50 vitórias. Em uma liga com tanto talento espalhado, ficou corriqueiro esperar o inesperado.
E não é apenas o talento que pode mudar essa história. Uma contusão pode desmontar o favorito mais sólido, uma troca pode transformar uma equipe durante a temporada e um match up de playoffs pode fazer um time jogar muito acima do que apresentou durante os 82 jogos da temporada regular. É por isso que seria leviano, por parte do Café Belgrado, apresentar apenas quatro candidatos ao título. Existe uma quantidade muito maior de equipes que pode começar a temporada acreditando que, se a sorte sorrir e a competência aparecer (supostamente andam lado a lado), existe um caminho até junho.
Por isso, além dos favoritos que já apresentamos, estas são as equipes que mais têm motivos para acreditar:


Já nos acostumamos a ver Nikola Jokic e Jamal Murray resolvendo séries de playoffs para o Denver, mas para ter uma nova chance de disputar o título, a equipe vai precisar voltar a defender em alto nível.
Um elenco jovem, aguerrido e talentoso jogando ao lado de Kevin Durant, um dos melhores jogadores de todos os tempos e que não aponta sinais de declínio. No papel, tudo muito lindo. Na prática o time foi enxotado dos playoffs pelo Los Angeles Lakers desfalcado de Luka e Austin Reaves. Fred Vanvleet estará de volta e o Rockets terá nova chance.
Luka Doncic mostrou, ainda pelo Dallas, que consegue carregar uma equipe coesa até as Finais, e o Lakers acredita que conseguiu trazer a combinação correta de jogadores na offseason para que isso aconteça novamente. Vai ser uma das grandes histórias da temporada.
O Wolves já provou que consegue ser competitivo no Oeste com uma super defesa, mas agora aposta no talento de LaMelo Ball para acrescentar criação e imprevisibilidade a uma equipe que não só quer derrubar os favoritos, mas quer ser temido como eles.





Jayson Tatum está de volta! Depois da gravíssima lesão no Aquiles, a expectativa da franquia é que ele volte a ser um candidato a MVP e favorito ao quinteto ideal da liga. A equipe optou por trocar o ídolo Jaylen Brown pelo veteraníssimo Paul George + escolhas de draft e pode contar que haverá uma constante comparação e que isso será o hiperfoco de 5 a cada 5 torcedores da franquia.
O Raptors apostou em trazer Kawhi Leonard de volta, campeão pelo time em 2019. A ideia da franquia é que a competitiva série de playoffs contra o Cleveland Cavaliers mostrou que o elenco estava perto o suficiente de dar essa cartada rumo à briga pelo topo. A promissora parceria de Leonard com Scottie Barnes será uma das histórias mais legais da temporada.
Depois da melhor campanha do Leste em 24/25 e de chegar à final da conferência em 25/26, o Cleveland Cavaliers conta com a adição de Peyton Watson, um dos free agents mais badalados dessa Offseason, para ser a peça que faltava para transformar uma equipe muito forte em finalista.
O Pacers volta a acelerar rumo ao topo. Toda a chance de ser campeã em 2025 e em 2026 foi embora quando o calcanhar de Aquiles do craque Tyrese Haliburton cedeu no jogo 7 das finais. O time, porém, não ficou parado desde então. Chega para a temporada com o pivô croata Ivica Zubac para ser o mortal parceiro de pick and roll do armador.
Teve a melhor campanha do Leste e finalmente voltou a vencer uma série de playoffs (a primeira na era Café Belgrado). Agora, o Pistons quer dar os próximos passos e deixar de ser uma equipe jovem e brigadora para voltar a ser vencedora e temida.


Não é incomum vermos equipes darem um salto de qualidade “inesperado” de uma temporada para a outra. Na temporada passada o Spurs e Pistons estavam cotados para o meio da tabela e ambos bateram 60 vitórias. O Phoenix Suns e o Charlotte Hornets chegaram na pós-temporada via play-in mas ganharam 15 jogos a mais do que se esperava antes da temporada.
Os motivos variam: pode ser um técnico novo, um encaixe especial de free agent, um novato dominante, uma troca anterior que começa a dar frutos agora, ou simplesmente, a curva de evolução natural de um elenco jovem. O que importa é que dentro de poucos meses estaremos coletivamente surpresos com alguma(s) equipe(s) trucidando expectativas.
O Washington Wizards é um dos candidatos óbvios mas começa a temporada em uma posição bastante peculiar. Tem AJ Dybantsa – a primeira escolha do último Draft – e dar total protagonismo a ele seria a jogada natural aqui, mas ao mesmo tempo, o Wizards vai estrear os dois jogadores mais caros do elenco, trazidos por troca durante a última temporada: Trae Young e Anthony Davis. Dois jogadores que já foram considerados superstars da NBA e que mudam completamente a expectativa em torno de uma equipe que, até pouco tempo atrás, parecia estar pensando exclusivamente no futuro.
Essa combinação que faz do Wizards um dos times mais intrigantes da temporada. AJ Dybantsa chega com a expectativa natural de uma primeira escolha, mas não necessariamente como a principal novidade de Washington. Poucas equipes na história da NBA tiveram, ao mesmo tempo, um jovem escolhido no topo do Draft e dois veteranos desse tamanho entrando em cena ao mesmo tempo. Se tudo encaixar, o Wizards pode acelerar muito mais rápido do que se imaginava.
O Utah Jazz também merece aparecer nessa lista. A equipe tem um garrafão imponente, com Lauri Markkanen e Jaren Jackson Jr., além de jovens talentosos espalhados pelo elenco. Darryn Peterson, segunda escolha do Draft, chega com a expectativa de ser um jogador capaz de acelerar o processo de reconstrução, mas mesmo que ele não comece a temporada como um fenômeno, existe talento suficiente em Utah para imaginar uma equipe capaz de brigar por uma vaga no Play-In ou até mais do que isso.

O Orlando Magic talvez seja o caso mais curioso. A equipe está presa a um elenco caro e com contratos longos, o que reduz bastante sua margem para grandes mudanças, e agora entrega o comando para técnico novato Sean Sweeney. Ele chega depois de fazer parte da elogiada comissão técnica do San Antonio Spurs e terá a missão de transformar esse grupo, sem tanta demora, em um dos melhores times do Leste. Se isso não acontecer, a própria franquia precisará começar a se perguntar até onde esse projeto pode chegar e se o investimento é compatível.



Além desses, existe o Dallas Mavericks.
Cooper Flagg é um daqueles jovens com capacidade de bagunçar as forças da NBA. Jogadores assim costumam mudar a trajetória de uma franquia muito antes do que se imagina e, às vezes, produzem campanhas surpreendentes antes mesmo de estarem completamente prontos para isso. Uma participação em playoffs, pode ser sonhar alto demais pra esse elenco, mas o Dallas começa a temporada apostando que Flagg pode ser exatamente esse tipo de jogador.

Depois de alguns anos em que acompanhar brasileiros na NBA significava torcer para que eles simplesmente encontrassem qualquer espaço na liga, a temporada 2026-27 começa com uma sensação diferente. Pela primeira vez em bastante tempo, existe expectativa real de que o Brasil possa ter protagonismo em duas frentes diferentes dentro da NBA.
Gui Santos chega a esse momento depois de conquistar aquilo que parecia ser o objetivo mais importante de sua trajetória até aqui: provar que pertence à NBA. Draftado pelo Golden State Warriors em 2022, Gui passou por diferentes estágios até se transformar em uma peça efetiva da rotação. Agora, tem um contrato de três anos e US$ 15 milhões no total, com player option no último ano. Não é um contrato gigantesco para os padrões atuais da NBA, mas é um contrato de jogador com continuidade garantida na NBA. E, para o Golden State, é um acordo bastante interessante: um jogador com rodagem, que já foi titular, já mostrou capacidade de pontuar e ainda tem um custo relativamente baixo.
Para o Gui, portanto, é um ano de afirmação. Ele já conquistou seu espaço. Agora precisa construir em cima dele. O Golden State começa a temporada com Jimmy Butler ainda fora e com seus principais jogadores entrando em uma fase mais avançada da carreira. Entre os jovens que vêm ganhando espaço, Gui é um dos que já tem experiência suficiente para ser levado a sério. A expectativa, para nós, é descobrir se ele consegue dar mais um salto. Eu quero ver o Gui Santos não apenas entrando em quadra, mas jogando minutos relevantes com frequência. Quero vê-lo se transformar em uma peça que Steve Kerr não só possa contar todas as noites mas que precise dele. O próximo passo seria um divisor de águas na carreira dele e no tamanho dele na liga. Por isso é tão importante que venha.


Já Tiago Splitter chega ao famoso Chicago Bulls por um caminho completamente diferente, mas também depois de uma temporada que mudou sua posição dentro da NBA. O brasileiro assumiu interinamente o Portland Trail Blazers em uma situação que não poderia ter sido mais inesperada do que foi e terminou levando a equipe a uma campanha de 42 vitórias e 40 derrotas e à pós-temporada.
Mais do que os resultados, Splitter conseguiu desenvolver jovens jogadores e transformar uma equipe que parecia estar em outra etapa do processo. Deni Avdija deu um salto importante sob seu comando, e outros jogadores jovens do Blazers viveram boa parte de seus melhores momentos na NBA justamente durante esse período.
O trabalho em Portland foi suficiente para abrir uma porta ainda maior. O Chicago Bulls escolheu Splitter para comandar uma franquia que, como o Blazers, não chega à temporada cercada de grandes expectativas. É justamente aí que mora a oportunidade. Splitter terá novamente um grupo jovem para desenvolver e a liberdade para construir uma identidade. Se fala que o contrato é de três anos, com opção da equipe para um quarto. Depois de uma passagem pela Europa e de uma primeira experiência muito forte como técnico principal na NBA, agora ele terá tempo para mostrar que aquilo que aconteceu em Portland não foi apenas uma boa surpresa.
Tudo isso deixa o torcedor brasileiro ansioso e animado para essa nova realidade. São duas histórias diferentes, em duas franquias diferentes, mas que começam a temporada com algo que não tínhamos há algum tempo: espaço conquistado e expectativas reais de ver brasileiros brilhando na NBA.
Talvez seja o começo de uma nova fase. Nosso basquete precisa e merece.

Este material é apenas a primeira parte do nosso preview da temporada 2026-27. Ao longo das próximas semanas, o Café Belgrado vai fazer um mergulho muito mais profundo em cada uma das 30 franquias da NBA, em uma série de previews em áudio que vai acompanhar o que cada time tem de melhor, seus problemas, seus jogadores, suas expectativas e tudo aquilo que pode fazer uma temporada mudar de rumo.
A ideia é que este material seja justamente uma porta de entrada. Para quem já acompanha a NBA há anos, uma maneira de organizar algumas das histórias que vão marcar a temporada. Para quem está chegando agora, uma forma rápida de entender os times, conhecer jogadores e até encontrar aquela franquia que pode virar seu novo time do coração. E, para quem quiser ir além, os podcasts vão estar esperando com muito mais tempo, detalhes e discussão.
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E fique à vontade para compartilhar este preview com quem gosta de basquete, com quem está começando a acompanhar a NBA ou com aquela pessoa que ainda está procurando um time para torcer. Afinal, depois de nove temporadas, a gente descobriu que uma das melhores coisas de acompanhar a NBA é ter com quem conversar sobre ela.
Nossa décima temporada está começando e contamos com a sua companhia.

Junto com o Café Belgrado.
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